[...] Como sabemos, vivemos em um mundo globalizado, onde
a cada dia novas tecnologias são criadas para facilitar uma maior interação
entre pessoas, empresas, ou até mesmo países de diversas partes do globo. Essa
interação, portanto, promove a interpendência econômica, política e social de
todas as partes envolvidas nela, fazendo com que se estabeleçam relações entre
si.
É a partir do exposto acima que apresentaremos o
conteúdo deste documento, segundo o título: “Geopolítica Mundial”, abordando
desde o processo histórico de formação do cenário político internacional, bem
como das relações econômicas e financeiras dos envolvidos neste cenário até as
questões atuais relativas ao tema.
[...] A geopolítica é o ramo da Ciência Política que
estuda as relações entre espaço, poder e posição, em outras palavras, ela compreende
as análises de geografia, história e ciências sociais mescladas com teoria
política em vários níveis, desde o Estado até o internacional, com o objetivo
de interpretar a realidade global e realizar o estudo de guerras, conflitos,
disputas ideológicas e territoriais, questões políticas, acordos
internacionais, entre outros.
O termo “geopolítica” é relativamente novo, uma vez
que foi introduzido nos estudos da geografia a partir do século XX, segundo as
ideias desenvolvidas no século XIX pelo sociólogo alemão Friedrich Ratzel (1844-1904).
Como Ratzel, jamais utilizou essa expressão, ele pode ser considerado criador
da “Geografia Política”, a qual será abordada no próximo item deste trabalho. Sendo
assim, o pioneiro nos estudos da Geopolítica foi o pensador sueco Rudolf
Kjellen. [...]
[...] É de suma importância destacar que ela por muitas
décadas teve como objeto de estudo os interesses dos Estados nacionais. Hoje,
contudo, a geopolítica crítica também considera os interesses e as necessidades
de atores sociais como sindicatos, empresas, partidos políticos, movimentos
sociais e outros segmentos da sociedade civil.
A Geopolítica, muitas vezes, é confundida com a
Geografia Política, já que compartilham alguns conceitos, porém a abordagem de
cada uma é distinta e, portanto, são áreas autônomas. [...]
[...] 1.1. Capitalismo X Socialismo
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) mudou o destino
e a geopolítica do mundo estabelecendo uma nova ordem mundial. Os impérios
coloniais desmoronaram e em seu lugar surgiram duas novas superpotências:
Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
A partir do momento em que a União Soviética passou
a existir como potência mundial e outras nações adotaram o socialismo, o
capitalismo deixou de ser o único sistema econômico do mundo. Pela primeira
vez, o mundo ficou dividido entre dois sistemas econômicos opostos: o
capitalismo norte-americano (Oeste) versus
o socialismo soviético (Leste). Foram quase cinco décadas de disputas entre os
dois blocos, cada um querendo impor seu modo de produção. Durante a guerra fria
foram criados arsenais bélicos e nucleares que a qualquer momento poderiam
destruir a humanidade.
De acordo com os americanos, o capitalismo
simbolizava a liberdade, uma vez que cada indivíduo poderia ser dono do seu
próprio negócio, pagar seus funcionários e investir onde bem entendesse. O
regime capitalista já tinha tomado suas proporções. Ele culminou no período das
manifestações, revoluções como a Revolução Industrial, a Independência dos
Estados Unidos e a Revolução Francesa.
O capitalismo gera desigualdades sociais por causa
da má distribuição de renda, o desemprego e outros fatores. Por outro lado, o
socialismo visava uma economia voltada para o bem coletivo – diferente do
individualismo do sistema econômico não planejado. No socialismo, a economia
está em poder do Estado.
A distribuição dos recursos de forma justa,
executada pelo governo vigente, bem como a remuneração dada a cada trabalhador,
segundo sua produção e qualidade do exercício formam algumas das
características do sistema de economia planejada ou planificada. Dessa forma, o
capitalismo e o socialismo são totalmente opostos em suas ideias. [...]
1.1.1. Guerra Fria
A Guerra Fria teve início logo após a Segunda Guerra
Mundial, pois os Estados Unidos e a União Soviética disputaram a hegemonia
política, econômica e militar no mundo. A União Soviética possuía um sistema
socialista, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista),
igualdade social e falta de democracia. Já os Estados Unidos, a outra potência
mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de
mercado, sistema democrático e propriedade privada. Na segunda metade da década
de 1940 até 1989, estas duas potências tentaram implantar, em outros países, os
seus sistemas políticos e econômicos.
A definição para a expressão "guerra fria"
é: um conflito que aconteceu apenas no campo ideológico, com ausência de embate
militar declarado e direto entre Estados Unidos e URSS. Até mesmo porque, estes
dois países estavam armados com centenas de mísseis nucleares. Um conflito
armado direto significaria o fim dos dois países e, provavelmente, da vida no
planeta Terra. Porém, ambos acabaram alimentando conflitos em outros países
como ocorreu, por exemplo, na Coreia e no Vietnã.
Durante a Guerra Fria, os interesses geopolíticos e
econômicos dos Estados Unidos se mesclaram e se complementaram. Os exemplos
mais significativos foram, na própria origem desse período, a elaboração da
Doutrina Truman, de cunho geopolítico, e o Plano Marshall, de cunho econômico.
Os norte-americanos constituíram blocos militares com o objetivo de impedir a
expansão da zona de influência da União Soviética, a superpotência rival.
Naquela época, muitos setores da sociedade americana acreditavam que, se a
União Soviética estendesse sua influência a outros países além do Leste Europeu
e da China (que aderiu o socialismo em 1949, como consequência da revolução
liderada por Mao Tsé-Tung), todos os países, sucessivamente, acabariam caindo
nas “garras” do inimigo. Esse pressuposto geopolítico ficou conhecido como efeito
dominó. Para contê-lo, os Estados Unidos criaram várias alianças militares
na Europa, na Ásia e na Oceania, estabelecendo um cinturão de isolamento em
torno da superpotência rival que ficou conhecido como cordão sanitário. [...]
[...] 1.1. Liberalismo econômico
O liberalismo emergiu no século XVIII como reação ao
absolutismo, tendo como valores primordiais o individualismo, a liberdade e a
propriedade privada. Ganhou projeção como adversário da concentração do poder
pelo Estado, principalmente no que dizia respeito às atividades econômicas.
O Estado liberal apresentava-se como representante
de toda a sociedade, tendo o papel de “guardião da ordem”: não lhe caberia
intervir nas relações entre os indivíduos, mas manter a segurança para que
todos pudessem desenvolver livremente suas atividades. Com o Estado liberal,
estabeleceu-se a distinção do público e do privado. [...]
[...] Essas concepções do pensamento liberal começaram
ruir no final do século XIX e caíram definitivamente por terra com a Primeira
Guerra Mundial. Isso ocorreu porque a intensa concorrência entre as empresas
foi provocando o desaparecimento de pequenas firmas, que faliam ou eram
compradas pelas maiores, tornando as crises econômicas mais frequentes, por
exemplo, em 1929, nos Estados Unidos, pois o livre mercado sem a interferência
do Estado fez com que a produção continuasse a aumentar enquanto que a demanda
diminui sensivelmente. [...]
[...] 1.1. Neoliberalismo econômico
A partir da década de 1970, após a crise do
petróleo, houve uma necessidade de mudança na organização estatal. O
capitalismo enfrentava então vários desafios. As empresas multinacionais
precisavam expandir-se, ao mesmo tempo em que havia um desemprego crescente nos
Estados Unidos e nos países europeus; os movimentos grevistas se intensificavam
em quase toda a Europa e aumentava o endividamento dos países em
desenvolvimento.
Os analistas, tendo como referência os economistas
Friedrich Von Hayek (1899-1992) e Milton Friedman (1912-2006), atribuíam a
crise aos gastos dos Estados com políticas sociais, o que gerava déficits
orçamentários, mais impostos e, portanto, aumento da inflação. Dizima que a
política social estava comprometendo a liberdade do mercado e até mesmo a
liberdade individual, valores básicos do capitalismo. Por causa disso, o
bem-estar dos cidadãos deveria ficar por conta deles mesmo, já que se gastava
muito com saúde e educação públicas, com previdência e apoio aos desempregados
idosos. Ou seja, os serviços públicos deveriam ser privatizados e pagos por
quem os utilizasse. Defendia-se assim o Estado mínimo, o que significa voltar o
que propunha o liberalismo antigo, com o mínimo de intervenção estatal na vida
das pessoas.
Nasceu dessa maneira o que se convencionou chamar de
Estado neoliberal. As expressões mais claras da atuação dessa forma estatal
foram os governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra, e de Ronald Reagan, nos
Estados Unidos. Más mesmo nesse período o Estado não deixou de intervir em
vários as aspectos, mantendo orçamentos militares altíssimos e muitos gastos
para amparar as grandes empresas e o sistema financeiro. Os setores mais
atingidos por essa “nova” forma de liberalismo formam aqueles que beneficiavam
mais diretamente os trabalhadores e os setores marginalizados da sociedade,
como assistência social, habitação, transportes, saúde pública, previdência e
direitos trabalhistas. [...]
[...] Com essas propostas, o que se viu foi à presença
cada vez maior das grandes corporações produtivas e financeiras na definição
dos atos do Estado, fazendo com que as questões políticas passassem a ser
determinadas pela economia. Além disso, o que era público (e, portanto, comum a
todos) passou a ser determinado pelos interesses privados (ou seja, por aquilo
que era particular). [...]
[...] Prós e contras do
neoliberalismo:
Segundo os defensores desse sistema, ele é capaz de
proporcionar o desenvolvimento econômico e social de um país. Defendem que o
neoliberalismo deixa a economia mais competitiva, proporciona o desenvolvimento
tecnológico e, através da livre concorrência, faz os preços e a inflação
caírem. Por outro lado, há quem critique, alegando principalmente que ela só
beneficia as grandes potências econômicas e as empresas multinacionais. Os
países pobres ou em processo de desenvolvimento (Brasil, por exemplo) sofrem
com os resultados de uma política neoliberal. Nestes países, são apontadas como
causas do neoliberalismo: desemprego, baixos salários, aumento das diferenças
sociais e dependência do capital internacional. Além disso, evidenciam-se
outros pontos negativos dessa vertente econômica, as quais podem citar: corte
em relação aos servidores públicos, flexibilização e a precarização das leis
trabalhistas, além da famosa “guerra fiscal” (quando as empresas recebem
incentivos fiscais para implantarem suas atividades em um dado país, mas quando
recebem propostas melhores em outro local, podem se deslocar facilmente,
deixando uma parte da população desempregada). [...]
[...] 1. Conclusão
Ao encerrar esse trabalho, fica evidente a percepção de
que todo e qualquer país tem uma contribuição na geopolítica mundial,
especialmente no século XXI, na era de esplendor da globalização. Deve-se ter
em mente, portanto, que todos os acontecimentos históricos, transcritos ao
longo deste documento, serviram de base e tiveram importância para reforçar
ideologias, superar crises, realizar alianças, bem como firmar pactos, acordos
ou tratados para que a relação entre os países da Velha e da Nova Ordem Mundial
sejam consideravelmente pacíficas.
Além das percepções acima mencionadas, pode-se concluir
que para que se tenha melhor entendimento das ações e ideologias de um país na
atual conjuntura global é importante entender o processo histórico que leva aquela
nação a adotar tais medidas. [...]
Vitor colleto dos Santos (colégio Tiradentes da Brigada Militar- Santo Ângelo RS).
1.
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